Lira diz a líderes ver baixa efetividade de ações de Lula para conter tragédia no RS

15/05/2024 - Postado por Eugênio Menezes 12

Presidente da Câmara afirma em reunião que medidas do Executivo não teriam efeito prático na vida das pessoas atingidas

Fonte: Folha de S. Paulo

BRASÍLIA – O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou a líderes partidários da Casa que está preocupado com o que considera uma baixa efetividade das ações anunciadas pelo governo federal para conter a tragédia no Rio Grande do Sul.

Segundo relatos de participantes da reunião, ele afirmou que as iniciativas não estão “chegando na ponta”, ou seja, não teriam efeito prático na vida das pessoas que foram afetadas pelas fortes chuvas.

De acordo com um interlocutor de Lira, o presidente da Câmara também levou essa avaliação a membros do governo federal, como o ministro Rui Costa (Casa Civil), com quem tem diálogo próximo.

Segundo um líder partidário, o alagoano deu um exemplo e disse que, se fosse presidente da República ou governador do estado, mandaria abrir um caminho no trecho de restinga entre a lagoa dos Patos e o oceano Atlântico, potencialmente desmatando a vegetação, para dar celeridade na vazão da água.

Como mostrou a Folha, na reunião ministerial com o presidente Lula (PT) na segunda (13), Rui Costa disse que há intenção do governo de contratar estudo de uma consultoria internacional para fazer o diagnóstico dos problemas no estado e apontar soluções e que uma das funções desse levantamento seria analisar a viabilidade da construção de um canal de escoamento.

À noite, ao chegar na Câmara após reunião no Palácio do Planalto com Lula, ministros e representantes dos Poderes, Lira foi questionado sobre qual a avaliação dele sobre as medidas do Executivo. Ele disse que não era possível fazer essa análise, porque existem situações diferentes dentro do próprio estado, mas que eram necessárias “medidas mais enérgicas”.

“Precisam, sim, ser feitas medidas mais enérgicas, mais vultosas, mais grandiosas para atender às pessoas e para cuidar da parte de estruturação e de infraestrutura para que essa água possa escoar”, afirmou.

Havia a previsão que Lula apresentasse novas medidas de socorro ao estado na tarde desta terça (14), mas isso foi adiado. Há uma expectativa que as iniciativas sejam anunciadas pelo petista em viagem ao estado nesta quarta (15) ao lado de presidentes dos Poderes, que foram convidados pelo petista para integrar a comitiva.

Lira disse que ainda não há certeza se ele irá ao Rio Grande do Sul por causa de reuniões que já estavam previstas para ocorrer. Ele afirmou que avalia que o anúncio das medidas será “num tom mais robusto do enfrentamento de algumas situações”, mas evitou comentar propostas que foram discutidas.

“Vai ser um trabalho diário, semanal, as necessidades vão aparecendo de acordo com o andar [da situação]. As situações vão vir e a partir do momento que chegarem, vamos debatendo e votando, como fizemos na pandemia. Isso vai mudar, inclusive, a forma do governo federal tratar problemas climáticos de catástrofes que acontecerão em outros estados e em outros momentos”, disse.

Segundo o alagoano, na reunião com Lula nesta terça, foram feitas sugestões sobre ideias que estão sendo discutidas a nível federal. Ele afirmou que entregou aos ministros Rui Costa e Fernando Haddad (Fazenda) um levantamento com matérias que foram aprovadas pelo Congresso no contexto da pandemia da Covid-19, para ver se alguma delas caberá ao contexto da crise no Rio Grande do Sul.

O relato de Lira a líderes foi feito em reunião no começo da tarde desta terça, num momento em que o presidente da Câmara sinalizou que daria prioridade ao projeto de lei complementar (PLP) do Executivo que suspende a dívida do estado com a União por três anos.

O texto da proposta foi oficializado no sistema da Câmara, e a previsão é que o projeto seja apreciado pelos deputados ainda nesta terça.

Também nesta terça, deputados que integram a bancada gaúcha na Casa solicitaram nova reunião com Lira para tratar da situação do estado. Eles afirmaram que fizeram um levantamento de projetos que já estão tramitando na Câmara e tratam de tragédias ambientais e poderiam ser levados à votação.

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