Cães de resgate do Corpo do Bombeiros de Pernambuco reforçam operações nacionais de busca e salvamento

04/03/2026 - Postado por Eugênio Menezes 34

Disciplina, técnica e empatia definem o trabalho das duplas que atuam em situações críticas de busca e localização

O Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE) tem expandido sua agilidade operacional em situações de emergência por meio do trabalho desenvolvido com o canil do Grupamento de Bombeiros de Salvamento (GBS). A unidade é destaque na atuação de binômios caninos especializados em localização e resgate e tem se mostrado essencial na localização de vítimas em cenários de difícil acesso. Somente no ano de 2025, o canil do CBMPE participou de 16 ocorrências, entre elas duas buscas em estruturas com situação de desabamento, sete buscas por restos mortais, em apoio à Polícia Civil e à Polícia Militar, e sete buscas por pessoas vivas desaparecidas em áreas de vegetação nativa.

Atualmente, o canil do CBMPE conta com 14 cães, sendo nove certificados nacionalmente e quatro em formação. Os animais são treinados para localizar tanto pessoas vivas quanto vítimas em óbito, utilizando o faro apurado para detectar partículas humanas e indicar a direção da fonte de odor. O treinamento é contínuo e envolve simulações em áreas de desabamento, lama, vegetação densa e estruturas colapsadas, garantindo uma alta eficiência operacional.

De acordo com o tenente Jeymesson Carias, comandante do canil, o vínculo entre o bombeiro e o cão é o principal fator de sucesso nas operações. “O relacionamento diário entre o condutor e o animal é o que gera confiança mútua e sintonia durante as missões. Cada bombeiro é responsável pelo seu cão, que o acompanha dentro e fora do serviço. Essa convivência fortalece a parceria e resulta em maior sintonia durante as ocorrências. O cão se torna parte da rotina do militar, o que é fundamental para o desempenho da dupla nas buscas”, explicou o oficial.

O sargento Marconi Júnior, integrante da equipe, destaca que o treinamento começa desde o nascimento dos cães e segue um processo de formação com foco nas suas habilidades naturais, como o faro e a autonomia de ação. “Os cães bombeiros precisam ser corajosos, equilibrados e sociáveis. Além do treinamento técnico, eles têm acompanhamento veterinário semanal, recebem suplementação e realizam atividades físicas, como natação. Quando não estão em serviço, vivem conosco, nas nossas casas, fazendo parte da família, o que fortalece o vínculo e reflete diretamente no desempenho operacional”, afirmou o militar.

CASOS – Para além das forças-tarefas em Pernambuco, os binômios caninos do GBS também têm sido reconhecidos em caráter extraestadual. Nos anos de 2023 e 2024, o CBMPE integrou as equipes que atuaram nas enchentes do Rio Grande do Sul, com 17 cães de diversos estados empregados nas buscas. Na ocorrência, a dupla formada pelo sargento Marconi e o cão Spot participou da primeira missão, quando dezenas de pessoas ainda estavam desaparecidas após o avanço das águas.

“O cenário era devastador. As cidades tinham sido muito modificadas pela força do rio, e muitas famílias ainda aguardavam notícias de seus parentes. Nosso trabalho foi descartar áreas de busca e, em uma dessas ações, conseguimos localizar o corpo de uma senhora desaparecida havia mais de 40 dias. Foi uma resposta muito significativa para todos nós e para as equipes locais, que estavam exaustas. Representar Pernambuco naquele momento foi motivo de orgulho e gratidão”, relatou.

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