Não é o fator Lula que define o resultado de uma eleição para Governador de Estado

08/06/2026 - Postado por Eugênio Menezes 34

Ninguém tem dúvidas quanto à capacidade de liderança do presidente Lula nos Estados do Nordeste; basta analisar os resultados das últimas 6 eleições em cada uma dessas unidades da federação. Em seu Estado de origem não é diferente, nem a comoção por conta da morte de Eduardo Campos provocou alteração na química entre os pernambucanos e o Lula.

Em 2010, Pernambuco, embalado pelo slogan de Campos de que era ‘daqui pra melhor’, foi Eduardo quem disse: “Vamos votar na mulher de Lula”, e o tom ganhou ritmo com Dilma Presidenta. Em 2018, Fernando Haddad era conhecido apenas como um ex-prefeito de São Paulo mal avaliado. Mesmo assim, debaixo das sombras de Lula, mesmo dedito na PF, ganhou de Bolsonaro.

Na eleição anterior à da facada em Bolsonaro, foi a do acidente aéreo que tirou a vida de Eduardo Campos. Nas eleições de 2014, a família Campos e o PSB estavam contra Lula e Dilma. Marina Silva, nome da legenda, superou a votação da petista no primeiro turno; já o escolhido da família e do PSB para o segundo turno foi Aécio Neves, que perdeu para a então presidenta.

Em 2014, o candidato de Lula em Pernambuco foi Armando Monteiro, inclusive com o petista João Paulo fazendo parte da chapa na condição de candidato a Senador. Nem Lula nem o PT impediram a vitória de Paulo Câmara em primeiro turno, assim como a eleição de Fernando Bezerra Coelho para o Senado Federal. Tudo isso mostra que o eleitor pernambucano faz escolhas sem interferência.

Já em 2022, o candidato de Lula em Pernambuco foi Danilo Cabral, do PSB; inclusive, Lula esteve no Estado para pedir votos para Cabral. Mesmo assim não foi o suficiente para impedir que Cabral ficasse apenas com a 4ª votação, atrás de Marília Arraes, Raquel Lyra e do bolsonarista Anderson Ferreira. No 2º turno, Lula esteve com Marília; Raquel foi eleita governadora.

Essa questão de montar chapa com a preocupação de agradar o eleitor de Lula não existe. João anunciou nomes de pessoas 100% Lula e está caindo a cada novo levantamento feito. Existem outros fatores para montar uma chapa e principalmente com a perspectiva de que vai render frutos e, consequentemente, votos. A expectativa agora é sobre a chapa de Raquel.

O período junino é propício à dança dos coladinhos; tem até espaço para quem quer soltar a voz nos bailes da vida. Ao falar em coladinhos, João se afastou de Miguel e Eduardo. Esses estão coladinhos com Raquel, esperando ser convocados para um time de 2. Um desses vai dançar no final do baile, bem depois do ciclo junino; aí vem outra agonia, que são as convenções.

Veja abaixo os números das três últimas eleições presidenciais em Pernambuco:

2014
1ª TURNO
Marina / 2.311.491 (48,05%)
Dilma / 2.127.010 (44,21%)
Aécio / 285.315 (5,93%)

2º TURNO
Dilma / 3.438.829 (70,19%)
Aécio / 1.460.279 (29,81%)

2018
1ª TURNO
Haddad / 2.309.104 (48,87%)
Bolsonaro / 1.444.685 (30,57%)
Ciro / 640.860 (13,56%)

2º TURNO
Haddad / 3.297.944 (66,50%)
Bolsonaro / 1.661.163 (33,50%)

2022
1ª TURNO
Lula / 3.558.322 (65,27%)
Bolsonaro / 1.630.938 (29,91%)
Ciro / 130.015 (2,38%)

2º TURNO
Lula / 3.640.933 (66,93%)

Bolsonaro / 1.798.832 (33,07%)

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