Operação contra Jaques Wagner causa preocupação no Planalto

19/06/2026 - Postado por Eugênio Menezes 28

Temor é de que ação que mirou líder do governo no Senado respingue no Executivo. Lula deve reforçar defesa da autonomia da Polícia Federal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve manter o discurso de defesa da autonomia da Polícia Federal após a operação realizada nessa quinta-feira, que teve como alvo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, o chefe do Executivo vai manter o posicionamento de que todos os envolvidos na fraude do Banco Master sejam investigados e punidos.

Nos bastidores, integrantes do governo afirmam que Lula não pretende interferir no trabalho da PF e deve reiterar o entendimento de que todos os fatos precisam ser apurados. O discurso, segundo auxiliares, é o mesmo adotado em outras investigações que alcançaram pessoas próximas ao governo.

A operação provocou preocupação entre aliados do Planalto. Eles avaliam que adversários poderão explorar o episódio para tentar desgastar o governo. Ainda assim, a orientação no núcleo presidencial é aguardar o avanço das apurações antes de qualquer decisão sobre o futuro político de Wagner.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, ressaltou que todas as apurações devem avançar. “Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master. A sociedade tem o direito de saber a verdade, os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis, penalizados”, declarou.

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, descartou qualquer relação entre o Planalto e eventuais articulações em favor do Master no Congresso. Segundo o ministro, a tramitação de propostas de interesse da instituição financeira não teve orientação do Executivo. “Nosso governo tem uma orientação clara: apura-se tudo, doa a quem doer”, frisou.

Lula tem um histórico de amizade e confiança em Jaques Wagner, com quem ele o trata carinhosamente de ‘Galego’. Wagner foi ministro de Lula no primeiro governo do petista, disputou e venceu a eleição para governador da Bahia em 2006. Foi reeleito em 2010 e fez de Rui Costa seu sucessor em 2014, sendo Costa reeleito em 2018. A Bahia agora é governada por outro afilhado politico de Jaques, Jeronimo Rodrigues.

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